Novas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros colocam o setor de autopeças em estado de atenção. O segmento, que movimenta R$ 280 bilhões no Brasil, enfrenta risco de perda de margem e dificuldade de competição internacional.
As exportações brasileiras de autopeças, que somaram US$ 8,5 bilhões em 2025, têm parte significativa de seu volume destinado aos EUA. O país norte-americano figura entre os principais destinos, embora fique atrás da Argentina. A pauta exportadora inclui motores, sistemas de transmissão, componentes de suspensão e peças elétricas e eletrônicas.
Caso os novos impostos incidam sem exceção, o custo de entrada dos produtos no mercado americano aumentará. Isso forçará os fabricantes brasileiros a renegociar contratos e competir com países como México e Canadá, que possuem acordos comerciais mais favoráveis. O Sindipeças aguarda a publicação oficial para detalhar os impactos.
A cadeia automotiva possui processos rigorosos de homologação, o que dificulta a substituição imediata de componentes. Especialistas apontam que as montadoras americanas podem absorver o custo, repassá-lo ao consumidor ou buscar fornecedores alternativos. A tarifa de 25% já é aplicada a dezenas de peças desde maio do ano passado, conforme a Seção 232 da legislação americana, evitando cobrança dupla.

