Tensões geopolíticas e a política tarifária dos Estados Unidos devem manter os juros globais em patamares elevados e gerar novos episódios de volatilidade no mercado financeiro durante o segundo semestre, afirma Marcela Kawauti, economista-chefe da gestora Lifetime. A alta do dólar e a queda da bolsa brasileira refletem fatores externos, como as tarifas americanas e a postura conservadora do Federal Reserve (Fed).
Kawauti explicou que a combinação de fatores externos, incluindo as novas tarifas americanas e a incerteza do Oriente Médio, explica o movimento recente do mercado. Segundo a economista, as declarações do presidente do Fed reforçaram a perspectiva de manutenção dos juros elevados, levando investidores a buscar proteção no dólar, o que pressionou moedas de países emergentes, como o real. A gestora avalia que o mercado ainda pode enfrentar novos solavancos devido à imprevisibilidade das sanções e tarifas usadas como instrumentos de política externa pelo presidente dos EUA.
A Lifetime projeta inflação de 3,5% a 4% nos Estados Unidos em 2026, um patamar acima da meta de 2% do Fed. No Brasil, a projeção é de inflação próxima de 5% no fim do ano. A economista espera que o Banco Central reduza a taxa Selic, mas em ritmo mais lento, de 0,25 ponto percentual por reunião, diferentemente das projeções iniciais.
Para os investidores, Kawauti recomenda cautela, mas aponta que momentos de correção podem oferecer oportunidades. Ela sugere atenção a empresas sólidas na renda variável e aproveitamento da remuneração maior em títulos de renda fixa, dado o cenário de juros elevados.

