A política tarifária dos Estados Unidos passou a ser usada como instrumento de pressão econômica, comercial e política, afirmou Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade. Segundo ele, as justificativas de Washington variam conforme o objetivo da negociação, abrangendo temas como trabalho forçado, meio ambiente e minerais críticos.
Pereira disse que a discussão sobre a carne brasileira expõe uma contradição. O produto foi retirado da lista sujeita à tarifa adicional de 25%, mas consta em investigação americana sobre trabalho forçado, o que pode sustentar uma nova cobrança. O especialista comentou que questões ambientais, trabalhistas e regulatórias funcionam como caminhos jurídicos para alcançar objetivos comerciais e políticos.
O analista também questionou a retirada da celulose brasileira da lista de isenções sob argumentos ambientais. Ele declarou que a política ambiental do governo anterior indicava que a preocupação climática não era o elemento central das decisões. Segundo Pereira, os EUA disputam ativos estratégicos com o Brasil, incluindo Pix, combustíveis e terras raras.
Sobre a resposta brasileira, Pereira defendeu que o país não deve adotar uma política ampla de retaliação. Ele afirmou que o Brasil deve concentrar esforços em negociações técnicas e na ampliação da lista de produtos isentos, além de estruturar a presença empresarial em centros decisórios internacionais.


