O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo federal sobre o risco fiscal gerado pela política de universalização dos Correios. O órgão determinou que a medida necessita de um mecanismo explícito de compensação de custos para não ameaçar as contas públicas.
A política de universalização exige que os Correios prestem serviços postais básicos em todas as cidades do país. Segundo o TCU, sem um sistema transparente de compensação, a saúde das contas públicas fica comprometida. Em 2025, os custos da universalização atingiram quase R$ 25 bilhões, enquanto as receitas somaram R$ 15,1 bilhões, indicando um descompasso expressivo.
O relator do caso, ministro Benjamin Zymler, afirmou que o custo total para a manutenção da universalização em 2024 foi de R$ 4,6 bilhões, valor compatível com outras políticas públicas. Contudo, Zymler observou que a ausência de projeção de compensação obrigaria um aporte de recursos da União, ampliando o risco fiscal da entidade.
A estatal enfrenta uma crise financeira prolongada. Os Correios encerraram 2025 com um rombo de R$ 8,5 bilhões e projetam um resultado negativo de R$ 10 bilhões para 2026, acumulando prejuízos por 14 trimestres consecutivos. Em dezembro do ano passado, o Tesouro Nacional aprovou um empréstimo de R$ 12 bilhões para a reestruturação da empresa.


