A navegação pelo Estreito de Ormuz se tornou um ponto de conflito entre Estados Unidos e Irã, enquanto o cessar-fogo firmado em abril e ampliado em junho corre risco. O Irã busca exercer controle sobre a passagem, determinando uma rota específica para embarcações, o que gera atrito com os interesses americanos.
O Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% das exportações globais de energia até fevereiro, viu sua dinâmica mudar após decisões americanas. Em abril, a Guarda Revolucionária anunciou uma nova “rota segura” quase inteiramente em águas territoriais iranianas, propondo também um pedágio. Essa medida foi rejeitada por governos regionais e pelo Ocidente.
Os Estados Unidos apoiaram uma rota paralela pela costa de Omã, que recebeu apoio aéreo e naval discreto da Marinha. Contudo, o memorando de entendimento de junho estabeleceu que o Irã deve tomar providências para a passagem segura de embarcações, o que é interpretado por Teerã como reconhecimento de seu controle de fato sobre a área.
Diplomatas apontam que o Irã está disposto a arriscar a retomada do conflito para manter essa vantagem de barganha. Recentemente, conversas em Omã sobre gerenciamento conjunto do estreito falharam, e o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, declarou que Teerã não cumprirá compromissos até que Washington cumpra os seus.

