Os Estados-membros do Tribunal Penal Internacional (TPI) destituíram o procurador-chefe Karim Khan nesta sexta-feira, 24. A decisão, aprovada por 82 votos favoráveis, ocorreu após uma investigação que concluiu grave má conduta relacionada a acusações de assédio sexual contra uma ex-subordinada.
A destituição de Khan, que ocupava o cargo desde 2021, é inédita na história do tribunal. O procurador britânico negou todas as acusações, alegando não ter recebido um processo justo e informou que recorrerá da decisão. As denúncias surgiram em 2024, quando uma funcionária do gabinete o acusou de assédio e coerção sexual.
A investigação independente, que durou cerca de 20 meses, culminou em um relatório que concluiu que Khan cometeu grave má conduta e violou deveres funcionais. Com base nesse parecer, a Assembleia dos Estados Partes, composta por 125 países, decidiu pela destituição. Segundo relatos, uma segunda mulher também apresentou acusações semelhantes.
Apesar da saída de Khan, os processos em andamento e os mandados de prisão expedidos pelo TPI permanecem válidos, pois dependem dos juízes da Corte. Khan havia ganhado projeção por conduzir investigações sobre crimes de guerra na Ucrânia e por solicitar mandados contra líderes israelenses, o que gerou forte reação política.

