Dois trabalhadores foram resgatados de uma carvoaria na zona rural de Presidente Olegário, em Minas Gerais, após denúncia de condições análogas à escravidão. A ação, realizada por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), revelou jornadas exaustivas e trabalho sem registro.
Os trabalhadores estavam sujeitos a jornadas contínuas, sem horários definidos, pois precisavam acompanhar os fornos de carvão dia e noite. Um dos resgatados declarou à Auditoria-Fiscal do Trabalho que não tirava folga, pois o carbonizador ficava sob sua responsabilidade. Além disso, afirmou que não possuía descanso semanal ou férias.
A fiscalização identificou diversas irregularidades. Os alojamentos apresentavam paredes deterioradas e janelas bloqueadas, enquanto na área de trabalho havia ausência de banheiro próximo aos fornos. Os trabalhadores recebiam apenas luvas como equipamento de proteção individual (EPI), e as botinas eram descontadas do pagamento.
O MPT e o MTE caracterizaram o caso como trabalho análogo à escravidão e servidão por dívida, devido à retenção salarial e aos descontos de mantimentos. Os dois homens receberam, juntos, R$ 12.039,33 em verbas rescisórias, e tiveram acesso ao seguro-desemprego.

