Três maritacas foram resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, na Baixada Fluminense, após serem pintadas de amarelo para se assemelhar a papagaios, espécie mais valorizada no tráfico. Os animais, que também tiveram penas cortadas, foram encaminhados ao Instituto Vida Livre, na Zona Sul do Rio, para reabilitação.
Os animais, que chegam debilitados, recebem atendimento veterinário no Instituto Vida Livre. O médico-veterinário Lucas Rebelo explicou que a aplicação de tinta pode provocar intoxicação, alteração hepática e renal. Além disso, o corte das penas das asas e da cauda compromete o processo de reabilitação e atrasa a soltura no habitat natural.
Os tratadores do Instituto Vida Livre relataram que as aves apresentam sinais de maltrato físico e comportamental. Uma das maritacas chegou em estado grave, com peso 30 gramas abaixo do ideal, e foi colocada em ambiente climatizado para recuperação. A Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) aponta que nove em cada dez animais traficados não sobrevivem ao comprador final.
O diretor do Instituto Vida Livre, Roched Seba, declarou que é urgente a aprovação do PL 347/2003 e a revisão da Lei dos crimes ambientais 9605 para punir crimes contra a biodiversidade. O advogado ambientalista Vinícius Cordeiro afirmou que a fiscalização por parte da Polícia Federal (PF) e do Ibama deve ser intensificada no estado.

