O presidente Donald Trump propôs a cobrança de um pedágio de 20% em navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, alegando oferecer proteção militar. A medida ocorre após mais de cinco meses de impasse, e fortalece a capacidade do Irã de impor controle sobre a rota estratégica.
A proposta de tarifa surge após o governo Trump demonstrar incapacidade de reduzir o controle exercido pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz. O Pentágono possui meios para intervir, mas a Casa Branca evita uma operação naval e terrestre considerada arriscada para soldados americanos. Essa situação permite que o Irã utilize o controle do estreito, incluindo a cobrança de pedágios, como instrumento de predominância regional.
A iniciativa de Trump, que o coloca como “guardião” do estreito, contraria a política externa americana de oitenta anos, que assegura o livre comércio e a liberdade de navegação internacional. Um ministro de Estado anterior recordou que “nenhum país tem o direito de cobrar pedágios ou taxas sobre uma rota internacional”, conforme o direito internacional.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã ironizou a proposta, afirmando que quem garante passagem segura deve ser remunerado. Essa declaração sugere que a pretensão de cobrar tarifas em águas internacionais ganha legitimidade com a potência hegemônica do período pós-Guerra Fria, levantando questionamentos sobre outras rotas globais.

