Eduardo Galeano explicou que a utopia serve para manter o indivíduo em movimento, citando o cineasta Fernando Birri. A metáfora do horizonte ilustra que, embora o objetivo final seja inatingível, a busca por ele é o que impulsiona a jornada.
O escritor uruguaio respondeu a uma indagação de um estudante da Universidade de Cataluña sobre a utilidade da utopia. Galeano utilizou a fala de Fernando Birri para definir o conceito: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
A ideia de perseverar no caminho, mesmo diante de percalços e dificuldades, é central na visão de Galeano. Ele afirmou que, para manter a busca, é preciso um lema de utopia: “Se não nos deixarem sonhar, não os deixaremos dormir”.
A reflexão sobre a jornada também dialoga com a literatura brasileira. O texto menciona um trecho de João Guimarães Rosa, de “Primeiras Estórias” (1962), que descreve a paisagem e o horizonte como um elemento de sublimação entre o corpo e a natureza.

