Um estudo liderado por pesquisadores do Mass General Brigham concluiu que a vacina BCG, usada para prevenir tuberculose, pode remodelar o ambiente imunológico do cérebro humano. A pesquisa, publicada em revista científica, sugere uma possível ligação entre a vacinação e menor risco de doença de Alzheimer.
O trabalho, com duração de um ano, constatou que a BCG promove maior capacidade de resposta nas células imunológicas que circundam o cérebro. Além disso, a vacina modificou biomarcadores relacionados ao Alzheimer em idosos que não apresentavam sinais da doença, mas não alterou os marcadores em indivíduos com evidências de demência.
Em ensaios clínicos realizados com 23 adultos com 55 anos ou mais, a imunoterapia com BCG gerou respostas imunológicas aprimoradas. Os pesquisadores observaram que essa resposta intensificada não foi acompanhada por aumento nos marcadores inflamatórios, fator de risco conhecido para neurodegeneração.
A vacina também alterou os níveis de beta-amiloide, biomarcador chave do Alzheimer, no líquido cefalorraquidiano e no sangue. Em participantes sem a patologia, os níveis de amiloide diminuíram no líquido cefalorraquidiano, enquanto aumentaram nas amostras de sangue ao longo de 12 meses. Essa mudança não ocorreu em quem já apresentava a doença.

