A Raízen vendeu a usina Caarapó, localizada no Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro por R$ 760 milhões. Segundo o Citi, embora a transação beneficie a compradora, o valor não é suficiente para resolver a estrutura de capital da Raízen, que está em negociação de recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões.
A operação envolve a transferência dos ativos da usina e dos contratos de fornecimento de cana firmados com produtores locais. A planta, que moeu cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26, fica a aproximadamente 100 quilômetros de usinas já pertencentes à Adecoagro. Com a aquisição, a Adecoagro aumenta sua capacidade de moagem em 24%, atingindo 17,7 milhões de toneladas de cana, valorizado em cerca de US$ 42 por tonelada, abaixo de transações recentes do setor.
O Citi avalia que a compra representa uma oportunidade de expansão para a Adecoagro, mas aponta fundamentos fracos para açúcar e etanol. O banco cita o aumento da produção doméstica de etanol como fator de pressão sobre os preços, enquanto a demanda por açúcar desacelera devido ao avanço de medicamentos para emagrecimento.
Para a Raízen, a entrada de caixa é vista como positiva e um movimento de simplificação de portfólio. Contudo, o banco classifica o valor da venda como insuficiente para reduzir a alavancagem da companhia. Com o fechamento do negócio, a Raízen reduz sua operação no Mato Grosso do Sul, ficando com 23 usinas em funcionamento, com capacidade de moagem de 69 milhões de toneladas de cana por safra.

