Um vendaval de grande potência atingiu Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira, configurando um evento climático inédito. O fenômeno, denominado bore ondular, resultou do avanço de uma massa de ar frio e denso sobre uma massa de ar mais quente, sinalizando a possível intensificação de extremos climáticos no Brasil.
O bore ondular se formou quando uma frente fria avançou sobre o ar excepcionalmente quente que cobria o litoral paulista e carioca. Segundo o meteorologista Ernani Nascimento, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o evento foi intensificado por uma onda de gravidade atmosférica. Imagens de satélite e dados das estações confirmaram a formação, com rajadas atingindo 124,9 km/h em Itaporanga (SP) e 105 km/h no Galeão.
O fenômeno, que pode ser comparado a uma onda no ar, nasceu no litoral paulista, onde o ar frio do Sul encontrou uma massa de ar mais quente que o normal. O meteorologista Guilherme Schild indicou que o relevo da Serra do Mar acelerou os ventos. Embora não relacionado a outros eventos recentes, Schild afirmou que o bore ondular é mais um sinal do aumento da ocorrência de ventos extremos.
A professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que a frente fria que gerou o vendaval tem a influência de um El Niño atípico e mais intenso. Ela declarou que o vento é uma resposta à diferença de temperatura, e quanto maior essa diferença, mais intenso é o fenômeno. Especialistas apontam que a falta de comunicação com a população poderia ter evitado danos, pois havia cerca de uma hora entre a chegada da ventania ao litoral paulista e sua entrada no Rio.

