A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir encontros político-eleitorais entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados até o fim das eleições preocupa a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida dificulta o momento em que Bolsonaro costuma arbitrar impasses e orientar decisões estratégicas da campanha presidencial.
Interlocutores do senador afirmam que a restrição impede a participação do ex-presidente em negociações cruciais, especialmente na reta final antes das convenções partidárias, marcadas para a próxima semana. Embora parte das articulações estaduais esteja avançada, Flávio ainda enfrenta pendências em dez dos vinte e sete estados. Aliados indicam que o PL precisará reorganizar a condução dessas negociações sem a participação direta de Bolsonaro.
O ministro Alexandre de Moraes endureceu as restrições após constatar descumprimento de medidas cautelares. Ele suspendeu por 30 dias as visitas sociais ao ex-presidente, permitindo apenas atendimentos médicos e encontros com advogados. Além disso, ficou proibida a divulgação de manifestos políticos produzidos por Bolsonaro.
O coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou a decisão como “extravagante, inusitada e sem precedentes”, alegando que Moraes transforma “medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político”. A mudança também amplia a influência de Michelle Bolsonaro na interlocução com o ex-presidente.

