O escoamento de petróleo no Estreito de Ormuz permanece sob incertezas, enquanto a retomada parcial da navegação é monitorada por investidores. A falta de confiança no mercado reflete a ausência de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã, realizadas no Catar.
Bruna Allemann, head da Mesa Internacional da Nomos, explicou que a movimentação dos preços do petróleo reflete o comportamento antecipatório dos mercados. Segundo a especialista, após o Brent recuar para a faixa de US$ 70 e subir para cerca de US$ 73 por barril, o movimento indica que o risco geopolítico do Oriente Médio já foi incorporado aos valores.
A especialista afirmou que a estabilização do Brent não significa resolução da crise, mas sim o acostumar do mercado com a tensão regional. Ela apontou que o principal fator que impede uma queda mais consistente do preço é a disputa pelo controle futuro do Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, disse que a normalização da precificação do petróleo ainda levará tempo.
Sobre os impactos de mudanças na OPEP, Allemann ponderou que o efeito direto sobre o preço é secundário frente a uma disputa de poder mais ampla. A analista concluiu que o mercado ainda não precifica fatores diplomáticos e jurídicos envolvidos, mas que a inflação continuará pressionada em todos os países no longo prazo.

