Voluntárias participam de testes de produtos de beleza em laboratório australiano, onde podem receber ressarcimento que chega a R$ 10 mil. A ALS, multinacional que atende grandes marcas, recruta anualmente cerca de 30 mil pessoas para avaliar itens como cremes e xampus.
A ALS (Australian Laboratory Services) realiza avaliações de cosméticos para empresas como Grupo Boticário e L’Occitane. Segundo o diretor geral da ALS Beauty & Personal Care, Erlandi Lara Salvador Júnior, os participantes passam por avaliação médica antes de iniciar as pesquisas. Embora a legislação brasileira proíba o pagamento pelo teste, as empresas oferecem ressarcimento pelo tempo dedicado, além de cobrir custos de deslocamento e alimentação. Os valores médios variam entre R$ 100 e R$ 400, mas casos complexos podem render até R$ 10 mil.
O mercado de cosméticos brasileiro movimenta quase R$ 200 bilhões anuais, e a Anvisa classifica os produtos em grau 1 e grau 2. Para os cosméticos de grau 2, é exigido um dossiê completo com estudos de segurança e eficácia, incluindo testes clínicos realizados com as voluntárias. A empresa afirma que a avaliação médica prévia ajuda a identificar problemas de saúde, como lesões suspeitas de câncer de pele, dispensando o participante.
Os testes de eficácia podem ser medidos por questionários ou por equipamentos especializados. Além disso, a Lei nº 15.183 proíbe testes de cosméticos em animais no país. Segundo Salvador Júnior, os testes possuem função social ao permitir que os voluntários usem produtos com tecnologia de ponta, enquanto os fabricantes utilizam os resultados como diferencial competitivo.

