Kevin Warsh, ex-governor do Federal Reserve, afirmou que a redução do balanço do banco central, que gira em torno de US$ 6,7 trilhões, não ocorrerá rapidamente. Em entrevista, ele declarou que a taxa de juros deve ser a ferramenta principal da política monetária, e não a diminuição do balanço.
Warsh, que falou no Fórum do Banco Central Europeu, explicou que o portfólio massivo de títulos do Fed se assemelha cada vez mais à política fiscal, pois influencia preços de ativos por meio de sinais, e não alterando diretamente o custo do dinheiro. Muitos investidores esperavam uma reversão imediata da flexibilização quantitativa, mas as declarações de Warsh indicam que a diminuição do balanço é um projeto institucional de longo prazo.
O ex-governor detalhou que a redução do balanço não será uma decisão unilateral do presidente do Fed. O processo será multifásico: começará com revisão de grupos de estudo, exigirá consenso entre múltiplos formuladores de política, e terá comunicação prévia ao mercado. A estabilidade financeira tem prioridade sobre a velocidade, segundo ele.
Warsh comentou que “levou 18 anos para chegarmos a este grande balanço… Não levará 18 semanas para reduzi-lo”. Essa fala reconhece a necessidade de reversão, mas o restante de suas declarações aponta para um ritmo mais lento. A manutenção da liquidez atual, que sustenta preços de títulos e avaliações de ativos, impede reduções rápidas sem gerar resistência no mercado.

