A Abra, controladora da Gol e da Avianca, apresentou recurso contra a aprovação do negócio que envolve a Azul e a American Airlines. A Superintendência-Geral do Cade havia aprovado a aquisição, em julho, sem restrições, mas a Abra solicitou nova análise.
A empresa, habilitada como terceira interessada, argumenta que as preocupações concorrenciais não são meramente privadas. Segundo a Abra, os receios surgem da existência de foros comuns, como o Comitê Estratégico e o Conselho de Administração da Azul. Nesses espaços, a United Airlines e a American Airlines atuarão conjuntamente.
A companhia sustenta que essa estrutura permite decisões e interações que envolvem informações sensíveis do mercado. A Abra afirmou que sua atuação busca resguardar a livre concorrência e o consumidor brasileiro, e não interesses particulares.
A operação prevê que a American Airlines adquira participação minoritária de cerca de 8% do capital social da Azul. Além disso, a companhia americana terá direito a indicar representantes nos órgãos de governança da Azul até fevereiro de 2028 e fevereiro de 2029.
As partes notificaram o órgão antitruste no início de abril. Para a Azul, o negócio representa uma oportunidade de recapitalização após o encerramento de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.


