As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) caíram mais de 31% na segunda-feira (17), atingindo R$ 0,45. A queda ocorre após a empresa protocolar pedido de recuperação judicial e divulgar um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre de 2026.
O pedido de recuperação judicial, apresentado na Justiça neste domingo, indica que a Casas Bahia enfrenta a “pior crise financeira desde a fundação”. A companhia acumula atualmente dívidas de R$ 17,3 bilhões. O grupo justificou o cenário citando os efeitos severos do aumento da taxa Selic a partir de 2021, visto que sua operação depende estruturalmente do crediário.
A carteira de crediário da varejista fechou em R$ 6,3 bilhões entre abril e junho. Além dos juros, a empresa alegou que a inflação reduziu o poder de compra das famílias e o aumento da concorrência com plataformas internacionais dificultaram as vendas.
A crise não é nova. Em 2023, a companhia fechou cinquenta e cinco lojas e demitiu oito mil e seis centenas de funcionários. Posteriormente, em 2024, passou por uma recuperação extrajudicial com passivo de R$ 4,1 bilhões. Mais recentemente, a empresa anunciou o fechamento de duzentos e noventa e oito lojas e a demissão de cerca de três mil funcionários em agosto.
O balanço do segundo trimestre expôs o prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no período de abril a junho, valor 18 vezes maior que os R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025. A auditoria EY também apontou, em seu parecer, uma incerteza relevante sobre a continuidade operacional da companhia.


