Filas de caminhões no Porto de Miritituba, no Pará, atingiram 40 quilômetros em fevereiro de 2026, durante a safra de soja. O gargalo logístico aumenta custos de frete e gera incerteza para produtores do Centro-Oeste, evidenciando a necessidade de melhoria em rodovias, ferrovias e hidrovias.
O acúmulo de veículos ocorre quando o volume de caminhões supera a capacidade de recebimento dos terminais. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o atraso gera custos elevados, como o demurrage, que pode custar cerca de US$ 40 mil por dia e é repassado à carga. O diretor-presidente da ABTP, Jesualdo Silva, afirmou que “a carga é o grande prejudicado. Quem paga os caminhões, quem paga o frete, quem paga a operação portuária, quem paga a dragagem, quem paga tudo é a carga. O preço todo vai apertando a margem”.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) classifica o problema como um desafio habitual que demanda investimentos de longo prazo. O presidente da CNT, Vander Costa, declarou que o país ainda não integrou efetivamente os modais de transporte. Ele explicou que a solução passa pela atuação complementar de rodovias, ferrovias e hidrovias, e pela urgência de um plano para hidrovias, focado em dragagem e manutenção.
O CEO da MoveInfra, Ronei Glanzmann, comentou que o Brasil é muito rodoviarista, mas que obras férreas e hidrovias são necessárias. Ele citou que a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostrou que 81,3% dos 13,9 mil km avaliados na região Norte estão em condições regulares, ruins ou péssimas. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Lucas Beber, reforçou que o escoamento é um entrave à competitividade, e afirmou que os candidatos à disputa presidencial de 2026 não apresentaram propostas detalhadas para resolver os gargalos.


