As ações da Casas Bahia caíram até 36% na Bolsa de Valores nesta segunda-feira, 17 de agosto, após a companhia solicitar recuperação judicial no domingo, 16. A queda reflete as dificuldades financeiras da empresa, que declarou um passivo de R$ 17,3 bilhões.
O pedido de recuperação judicial foi registrado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. O grupo, que inclui as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com, anunciou o fechamento de quase trezentas lojas e a demissão de cerca de três mil colaboradores, de um total superior a trinta mil funcionários.
A companhia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, comparado a uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Com esse resultado, o patrimônio líquido da Casas Bahia atingiu R$ 8,1 bilhões negativos, valor insuficiente para cobrir as dívidas mesmo com a venda de ativos.
Especialistas apontam que o caso da varejista é específico, resultado de elevado endividamento e estrutura de capital pressionada. Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, disse que o pedido não deve contaminar outras empresas do setor, mas reconheceu a preocupação com companhias com alta alavancagem.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirmou que a saída para a companhia envolve a redução de seu tamanho operacional e a renegociação de dívidas com credores. Ele previu que parte desses credores possa se tornar acionista em uma operação futura menor.


