O Acordo Mercosul-UE, em vigor desde 1º de maio, deve ampliar as exportações de Goiás para a União Europeia em US$ 218 milhões e gerar 24.200 empregos nos setores exportadores. O levantamento foi realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) após quase 30 anos de negociações entre os blocos.
Atualmente, a União Europeia absorve 12,5% de todas as exportações goianas, totalizando US$ 1,68 bilhão. O tratado reduz tarifas e barreiras aduaneiras e sanitárias, facilitando a entrada de produtos processados com maior valor agregado, em vez de apenas matérias-primas brutas. A medida também barateia a importação de máquinas e insumos europeus, o que reduz custos de produção locais.
O economista Luiz Carlos Ongaratto afirmou que o acordo permite acesso direto ao maior bloco comercial do mundo, com um PIB somado de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas. Segundo Ongaratto, o principal desafio agora é regulatório, exigindo que as empresas acelerem a adequação às exigências ambientais e sanitárias da Europa para elevar o padrão de qualidade.
Os setores com maior potencial de ganho incluem a agroindústria, mineração, metalurgia, indústria química e o setor de couros. Emílio Bittar, CEO da Coming Indústria e Comércio de Couros, sediada em Trindade, disse que o acordo reduz a burocracia e os custos de transporte, surgindo em momento oportuno diante das taxações impostas pelo governo Trump a diversos parceiros comerciais.
A Fieg é a única entidade habilitada em Goiás para emitir o Certificado de Origem, documento obrigatório para a aplicação das preferências tarifárias. Juliana Tormin, gerente de Internacionalização da Fieg, informou que a federação oferece suporte em inteligência comercial e capacitação técnica para que as empresas convertam o potencial do tratado em resultados concretos.
Flávio Falcão, consultor de Comércio Exterior da Fieg, disse que a procura por informações sobre os procedimentos de exportação cresceu. Ele alertou que alguns segmentos enfrentarão concorrência mais forte de produtos importados, exigindo maior competitividade da indústria local para operar em igualdade de condições com a Europa.


