Especialistas em infraestrutura e energia alertam para a necessidade de o Rio de Janeiro diversificar sua matriz econômica antes do declínio da produção do pré-sal. Projeções indicam que o pico de extração da fonte deve ocorrer entre 2030 e 2032, reduzindo a janela de oportunidade financeira do estado.
O setor de óleo e gás detém forte peso na economia local, representando 53% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e 73% do valor total das exportações fluminenses. Em 2025, o estado e seus municípios arrecadaram R$ 30,23 bilhões em royalties e R$ 14,72 bilhões em participações especiais.
Diego Fernandes, sócio do Roenick Fernandes Advogados, afirma que a atual renda do petróleo não é permanente. Segundo o especialista em Direito da Infraestrutura, o estado deve agilizar a conversão de normas e anúncios de investimentos, como os de eólica offshore, em obras e empregos reais.
A cadeia produtiva do setor mobiliza cerca de 214 mil postos de trabalho diretos, número que pode atingir 1 milhão ao considerar fornecedores e serviços, estima Roberto Ardenghy, CEO do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Carolina de França, advogada do Gaia Silva Gaede Advogados, explica que a atividade gera remunerações acima da média e envolve logística, engenharia e indústria naval.
Felipe Kfuri, sócio do L.O. Baptista Advogados, argumenta que a concentração em commodities expõe o Rio a ciclos de preços e inovações tecnológicas. Para o advogado, a diversificação reduz a vulnerabilidade fiscal e econômica, embora a vocação histórica para o petróleo e gás deva ser mantida por ser relevante nos próximos anos.


