O sócio do BTG Pactual, André Esteves, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último sábado (29), no Trump National Golf Club, nos arredores de Washington. O encontro, que contou com a presença da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, teve como pauta o desenvolvimento econômico do Brasil e oportunidades de investimento.
Segundo interlocutores de Esteves, Trump questionou sobre as eleições brasileiras e setores específicos para investimentos, como terras-raras. O banqueiro afirmou ao presidente americano que o sistema eleitoral do Brasil é totalmente confiável. Os dois também discutiram a situação da Venezuela e a conjuntura geral da América Latina.
O Palácio do Planalto foi informado por Esteves sobre a agenda. Nesta segunda-feira (31), o executivo abriu o Macro Day 2026, evento do banco Pactual que reuniu autoridades e economistas. À noite, ele participa de um jantar oferecido pelo presidente Lula a empresários em Brasília, onde o governo espera que ele compartilhe detalhes da conversa com Trump.
A reunião ocorre enquanto o Brasil tenta reduzir o impacto de tarifas impostas por Washington. No início de agosto, os EUA restabeleceram uma sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras, somada a uma alíquota de 12,5% por falta de fiscalização de trabalho forçado. Negociações oficiais foram retomadas nesta segunda-feira, em reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, mas as conversas não avançaram.
Durante o Macro Day, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as tarifas de até 37,5% como injustas. Alckmin informou que o Brasil cobra taxa média de 3,1% de imposto de importação sobre produtos americanos e isenta 76% deles de tarifas. O vice-presidente afirmou que o foco é buscar um cenário de ganha-ganha, já que os Estados Unidos são o maior investidor no Brasil e principal comprador de manufaturados.
Alckmin também mencionou o Redata, projeto para atrair data centers ao país. Segundo o vice-presidente, a aprovação da medida no Congresso poderia atrair cerca de R$ 1 trilhão em investimentos, impulsionados pela energia renovável. Ele afirmou que o tema é de forte interesse de empresas americanas e estará nas negociações bilaterais.


