Anéis utilizados na Grécia Antiga, entre 3.800 e 3.000 anos atrás, podem ter sido produzidos com ferro extraído de meteoritos, aponta estudo divulgado em julho. A possibilidade surgiu após pesquisadores analisarem 91 artefatos em 33 locais arqueológicos, mantidos hoje em 19 museus.
Dezenove peças foram examinadas, incluindo anéis, pingentes, espadas e facas, retiradas da Grécia continental, do Peloponeso, das ilhas do mar Egeu e de Creta. Dos 91 objetos, 78 não apresentaram quantidade detectável de níquel. Os outros 13, todos anéis de dedo, exibiram concentrações variadas do elemento.
Os cientistas utilizaram um equipamento portátil de fluorescência de raios X para verificar a composição sem danificar os itens. Nove dos 13 anéis com níquel foram considerados muito provavelmente feitos com ferro de meteoritos. Um anel em Micenas, por exemplo, registrou até 45,5% de níquel, concentração compatível com material meteorítico.
Os anéis, usados pela alta sociedade, podem ter sido símbolos de prestígio. Um exemplar em Anemospilia, Creta, foi achado no dedo de um homem interpretado como sacerdote de alto nível. A presença de meteoritos na região é rara, mas o Egito, com suas áreas desérticas e rotas comerciais antigas, é considerado um possível ponto de origem do material.
Os pesquisadores observaram que, após o século 13 antes da Era Comum, nenhum dos anéis analisados mostrou concentração elevada de níquel. Eles sugerem que mudanças nos costumes, dificuldades de obtenção do material ou o aumento da metalurgia terrestre podem explicar esse desaparecimento.

