Quarenta anos após a explosão na usina Vladimir Ilich Lenin, no norte da Ucrânia, a zona de exclusão de Chernobyl abriga fauna diversificada. Lobos, ursos e aves ocupam a área, levantando questionamentos sobre a prosperidade animal diante da radiação.
O acidente nuclear ocorrido em 26 de abril de 1986 matou trinta e uma pessoas e forçou a realocação de cerca de 116 mil moradores. Pripyat, cidade próxima à usina, hoje é deserta. A retirada da população criou uma área de 2.590 quilômetros conhecida como zona de exclusão.
Pesquisadores registram a presença de grandes mamíferos e centenas de espécies de aves. Germán Orizaola, doutor em Biologia e pesquisador da região, identificou rãs mais escuras, sugerindo respostas adaptativas à radiação. Contudo, insetos em áreas de alta radioatividade mostram menor expectativa de vida.
A ausência de atividade humana diminuiu ameaças como caça e poluição. No entanto, a contaminação permanece, com altas concentrações de césio-137 nos organismos. Estudos apontam que espécies menores, como roedores e aves, são mais afetadas por sequelas de saúde, como tumores e cataratas.
Vacas da região passaram a formar manadas e a exibir comportamento semelhante ao de animais selvagens. A coexistência da biodiversidade com a contaminação gera debate científico sobre se a fauna prospera pela ausência de humanos ou apesar dos efeitos radioativos.

