A crise energética em Cuba transformou cortes de luz em um problema de saúde pública, forçando os habitantes a viverem em adaptação permanente. Os apagões, que duram mais de 20 horas em Havana, interferem na rotina, no cuidado com doentes e na saúde mental da população.
A situação em Cuba se agrava desde 2024, com a população enfrentando poucas horas de eletricidade por dia. Segundo o diretor-geral do centro terapêutico Prisma Behavioral Center, Yunier Broche-Pérez, os cortes afetam a conservação de alimentos, o trabalho e o descanso. Broche-Pérez e Zoylen Fernández-Fleites realizaram um estudo em 2025 que mapeou os impactos psicológicos.
O estudo revelou altos índices de sofrimento psicológico entre os 415 adultos entrevistados. Broche-Pérez declarou que 55,4% apresentaram sintomas de depressão, 66% de ansiedade e 65,8% de estresse. O especialista afirmou que a instabilidade energética deve ser vista como um problema de saúde pública, e não apenas como um inconveniente técnico.
O impacto não se restringe a Cuba. Em países como Equador, cortes diários chegaram a durar até 14 horas consecutivas em 2024. A neuropsicóloga Vanessa Triviño Burbano observou sintomas psicológicos semelhantes e apontou que a falta de acesso a geradores evidencia desigualdades sociais.

