Um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia indica que a apneia obstrutiva do sono, caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o repouso, está associada a problemas de memória e maior risco de demência em pessoas com mais de 40 anos.
A pesquisa analisou mais de 2 mil participantes, com idades entre 40 e 70 anos, que realizaram avaliações online de saúde e habilidades cognitivas. Os dados mostram que pessoas com o distúrbio apresentaram pior desempenho de memória do que aquelas sem a condição. No entanto, quem recebeu tratamento teve resultados semelhantes aos de indivíduos saudáveis.
Os resultados apontam que a apneia obstrutiva do sono está ligada a uma maior incidência de fatores de risco para demência e comorbidades, como a obesidade. Gabriel Abdelmessih, candidato a doutorado em neuropsicologia clínica pela Escola de Ciências Psicológicas da Universidade Monash, afirmou que a condição é comum e tratável, mas raramente considerada em discussões sobre demência.
O pesquisador explicou que identificar e tratar a apneia na meia-idade pode representar uma oportunidade importante para promover a saúde cerebral a longo prazo. O distúrbio prejudica o ciclo do sono e manifesta sintomas como roncos, sonolência diurna, dor de cabeça, hipertensão, arritmias cardíacas e perturbação da atenção.
Para mitigar os riscos, a recomendação inclui a perda de peso, a interrupção do consumo de álcool e sedativos, além de dormir lateralmente ou com a cabeceira da cama elevada. Em casos moderados, são utilizados aparelhos como o CPAP, que mantém as vias aéreas abertas, ou o BiPAP, que auxilia a musculatura inspiratória a encher os pulmões de ar.

