As apostas para uma nova alta de juros na reunião de 18 de setembro do Federal Reserve (Fed) subiram de 35,4% para 59,7% nesta sexta-feira (28). A mudança ocorreu após o discurso do presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, durante o Simpósio de Jackson Hole, onde reforçou o compromisso com a meta de inflação.
A ferramenta FedWatch do CME Group indica que os investidores agora preveem que as taxas subam para o intervalo de 3,75% a 4%, superando os 3,5% a 3,75% praticados atualmente. Outro 38,5% do mercado vê como possível um novo aumento para a faixa de 4% a 4,25% na reunião de dezembro, contra 24,7% na quinta-feira (27).
Para a reunião de 28 de outubro, a maior parcela de participantes, 53,6%, aposta em uma alta de 0,25 ponto percentual. O economista Marcelo Fonseca, da CVPAR, afirmou que Warsh deu pistas de que irá aumentar os juros ao reconhecer que a inflação apresentou pouco avanço desde julho.
Warsh declarou que a convergência dos preços para a meta de 2% não ocorrerá automaticamente e dependerá da atuação do banco central. O presidente do Fed classificou o objetivo como uma meta firme e inalterável, citando o índice de preços de gastos com consumo (PCE) e o índice de preços ao consumidor (CPI) para embasar a análise de que as tendências inflacionárias não melhoraram significativamente.
Sobre o mercado de trabalho, o dirigente avaliou que a economia permanece próxima ao pleno emprego, com redução das pressões salariais. Ele considerou natural que a criação de vagas ocorra em ritmo mais moderado diante do crescimento limitado da oferta de trabalhadores.
O presidente do Fed também criticou a política de orientação futura, chamada de forward guidance. Warsh disse que o instrumento foi importante após a crise financeira de 2008, mas perdeu a utilidade nas condições atuais do mercado.


