Mais da metade das mulheres brasileiras foi impactada por plataformas de apostas online, seja como apostadora ou ao lidar com a dependência de familiares. O estudo “Mulheres & Bets”, realizado pelos institutos Estratégia Latina e Ideia, revela que 42% das brasileiras apostam ou já apostaram.
A pesquisa indica que doze por cento das mulheres relatam sofrer consequências do vício de parceiros ou parentes. Segundo a porta-voz do estudo, a motivação de mães para apostar está ligada à tentativa de complementar a renda e cobrir despesas cotidianas, e não ao consumo de luxo. Essas apostas são vistas como uma forma de “terceira renda” ou meio de melhorar a situação financeira.
Em nível nacional, em 2025, as perdas líquidas das famílias com as apostas foram estimadas em R$ 62,5 bilhões. As classes C, D e E são as mais afetadas, visto que a vulnerabilidade financeira pode influenciar a avaliação de riscos. Em Goiás, onde 50,1% dos lares eram chefiados por mulheres em 2024, os atendimentos por ludopatia na capital dobraram, passando de cinquenta casos em 2025 para cento e vinte em meados de 2026.
Especialistas apontam que o acesso via celular e os mecanismos de recompensa dos aplicativos contribuem para a dependência. A neurocientista Aida Leal explica que o funcionamento das plataformas envolve o “reforço intermitente”, intensificando a liberação de dopamina pela expectativa do resultado. O Sindilojas-GO informou que as vendas no varejo goiano caíram, em parte, porque recursos das famílias foram desviados para as plataformas de aposta.

