A arara-azul, símbolo da fauna brasileira, possui coloração azul-cobalto sem pigmento azul. O fenômeno, chamado cor estrutural, ocorre pela interação da luz com estruturas microscópicas presentes nas penas da ave.
A plumagem da arara-azul contém uma estrutura microscópica feita principalmente de queratina e pequenas cavidades de ar. Quando a luz atinge essa estrutura, ela reflete certos comprimentos de onda de maneira intensa, o que gera a percepção do azul pelo observador. Essa cor não está contida na pena, mas sim no processo óptico.
Quando a pena é exposta à luz diretamente, a tonalidade azul some, podendo aparecer acinzentada ou escura. Especialistas explicam que a ave tem base escura devido à melanina, e o azul é um efeito óptico sobre essa base. Diferentemente de aves amarelas e vermelhas, cuja cor vem de carotenoides alimentares, o mecanismo da arara-azul é estrutural.
A cor estrutural não é exclusiva da espécie. Ela existe em diversos animais e explica por que algumas cores mudam conforme o ângulo de visão e a iluminação. O Instituto Arara Azul classifica a espécie como vulnerável à extinção pela IUCN, e o Ministério do Meio Ambiente a considera quase ameaçada.
A conservação da arara-azul é dificultada pela captura ilegal de animais e ovos, pela fragmentação do habitat e pela baixa taxa reprodutiva. Atualmente, estima-se que existam cerca de 6,5 mil indivíduos em vida livre nas regiões Pantanal, Brasil Central e Norte do país.

