Pesquisadores concluíram que a área de incêndios florestais na Europa pode quase triplicar até o fim deste século se o aquecimento global não for contido. A projeção, divulgada em periódico científico, depende diretamente da meta de temperatura global.
O artigo, publicado nesta quinta-feira (20), prevê que, em um cenário de 3,6°C de temperatura acima dos níveis pré-industriais, a área queimada anualmente no continente aumentaria em 192%. Em contrapartida, um cenário mais controlado, com 1,8°C de aquecimento, limitaria a destruição florestal a um aumento de 39%, alinhado ao Acordo de Paris.
Maik Billing, do Instituto Potsdam de Pesquisa Climática, afirmou que investimentos contínuos em prevenção e combate podem atenuar os efeitos. No pior cenário, a prevenção deteria 72% da área queimada; com a meta de aquecimento alcançada, o controle chegaria a 92%.
O estudo, que envolveu especialistas da Sociedade Senckenberg de Pesquisa da Natureza, aponta que o Índice Meteorológico de Incêndio aumentou 50% em áreas da Península Ibérica e da França nas últimas décadas. O cientista explicou que condições climáticas favoráveis aos focos de fogo estão se deslocando para a Europa Central.
A análise não indica risco imediato para grandes centros urbanos europeus neste verão, embora incêndios intensos já tenham ocorrido perto de cidades como Paris, Bordeaux e Madri. Os pesquisadores também consideraram o efeito de oscilações climáticas, como chuvas no inverno seguidas de seca na primavera.

