Uma análise comparativa entre Brasil e Estados Unidos indica que a arquitetura institucional de financiamento brasileira, menos diversificada, contribui para a manutenção de elevados spreads bancários. O estudo, baseado em dados de 2014 a 2025, sugere que a dependência exclusiva do crédito bancário restringe a concorrência e o poder de negociação dos tomadores.
O estudo propõe que os altos custos de captação bancária não dependem apenas do funcionamento interno das instituições, mas também das alternativas existentes fora delas. A hipótese central é que quanto maior a diversidade de canais de financiamento para empresas e famílias, menor será a dependência do crédito bancário e maior a pressão competitiva sobre as margens bancárias.
A pesquisa define aprofundamento financeiro como a expansão da escala, diversidade, integração institucional e competição entre os canais. Os dados comparativos mostram que, embora o Brasil possua uma indústria de fundos de grande escala, o mercado acionário e a poupança institucional de longo prazo, como fundos de pensão e seguradoras, apresentam escala substancialmente inferior à dos Estados Unidos.
A menor diversidade de canais, como o mercado de debêntures e o capital de risco, limita a capacidade de empresas de acessar fontes alternativas ao crédito bancário. Isso mantém a intermediação financeira concentrada, o que, segundo os autores, preserva os spreads elevados, apesar da sofisticação operacional do sistema brasileiro.


