O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de múltiplas acusações investigadas pela Justiça brasileira. Contudo, a imprensa dedica pouco espaço aos casos arquivados, mesmo quando as imputações são graves. O Ministério Público Federal (MPF) arquivou, por exemplo, uma representação por genocídio durante a pandemia, por falta de elementos probatórios.
Diversos processos envolvendo o ex-presidente tiveram desfechos sem responsabilização penal. A Polícia Federal concluiu que não houve prevaricação na negociação da vacina Covaxin, pois não havia obrigação legal específica. O Supremo Tribunal Federal (STF) também acolheu o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao arquivar notícia-crime sobre conversas com um senador, sem indícios de corrupção ativa ou advocacia administrativa.
Outro caso relevante foi o arquivamento, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, da investigação sobre supostas fraudes em cartões de vacinação. A PGR não comprovou os crimes apontados na colaboração premiada de um ex-ajudante de ordens. Tais decisões fazem parte do histórico jurídico do ex-presidente e merecem tratamento proporcional ao recebido pelas acusações iniciais.
O desequilíbrio na cobertura cria um vácuo informativo. O dever de informar exige que tanto as acusações quanto seus desfechos — condenações, absolvições ou arquivamentos — recebam tratamento jornalístico equilibrado. A presunção de inocência deve ser refletida no debate público, e não apenas na Constituição.

