Cientistas detectaram, pela primeira vez, a molécula de eritrulose, um açúcar de quatro carbonos, no espaço interestelar, fora do Sistema Solar. A descoberta, publicada na revista científica Nature Astronomy, ocorre na nuvem molecular G+0.693−0.027 e sugere que ingredientes químicos essenciais à vida podem ser trazidos do cosmos.
A eritrulose é considerada uma molécula importante para a química que pode originar a vida. Em ambientes aquosos, esse açúcar pode se transformar em compostos como o RNA, fundamental para a transmissão genética, e também pode gerar a treose, um possível precursor do RNA nos estágios iniciais da Terra.
Os pesquisadores utilizaram os radiotelescópios Yebes 40 metros e IRAM 30 metros, instalados na Espanha, para captar ondas de rádio. Eles compararam os sinais registrados com a assinatura espectral da eritrulose, produzida em laboratório, identificando 17 linhas espectrais compatíveis com o açúcar.
O estudo também revelou um dado inesperado: a eritrulose se mostrou entre oito e 17 vezes mais abundante que açúcares menores, como o gliceraldeído. Esse achado indica processos químicos espaciais ainda não compreendidos.
A descoberta fortalece a hipótese da origem exógena das biomoléculas, sugerindo que o meio interestelar atua como uma “fábrica química” que distribui esses ingredientes por diferentes sistemas planetários, possivelmente durante o Grande Bombardeio Tardio.

