O governo francês confirmou que um acesso ilícito aos sistemas da Direção-Geral das Finanças Públicas resultou na extração de dados de 678 mil contas de pessoas físicas e empresas. A intrusão, ocorrida no fim de junho, foi revelada publicamente nesta sexta-feira (14).
A Procuradoria de Paris abriu investigação criminal para apurar a invasão, sob condução da unidade de cibercrime da polícia francesa. O objetivo é determinar a forma da intrusão e verificar se houve atuação de organização criminosa, crime que prevê pena mínima de cinco anos. O Ministério da Economia anunciou uma auditoria técnica, liderada pela Agência Nacional de Cibersegurança e Ciberdefesa (ANSSI), com relatórios para as comissões de Finanças da Assembleia Nacional e do Senado.
Os dados expostos incluíram informações fiscais como renda tributável de referência e quociente familiar. Também foram consultados dados cadastrais, como endereços e informações de imóveis. A diretora-geral da DGFiP, Amélie Verdier, informou que o invasor utilizou a identidade de um agente público e que a confirmação do roubo ocorreu após o hacker se vangloriar em 12 de agosto.
O ministro David Amiel apontou a crescente ameaça de ataques a serviços públicos com o avanço da inteligência artificial. Como medida de proteção, citou a autenticação de dois fatores para servidores e a revisão de protocolos de acesso a dados. O governo informou que as notificações individuais aos afetados começarão a ser enviadas nesta segunda-feira (17).


