O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, participou nesta sexta-feira (28) de uma sabatina com duração de 1h30. Durante a entrevista, realizada por veículos de imprensa, declarações do candidato sobre o Judiciário, a administração pública e indicadores sociais foram submetidas a checagem de fatos.
Sobre a administração pública, Cury afirmou que o Executivo possui cerca de 50 mil cargos comissionados. Dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmam a informação, registrando 50.124 cargos em comissão e funções de confiança em 2025. O candidato também acertou ao citar que o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu mais de 112 mil decisões no ano anterior; o balanço oficial da Corte indica 116.170 decisões em 2025.
A apuração indicou, porém, que a fala de Cury sobre a advocacia é falsa. O candidato afirmou que o Brasil tem mais advogados que todos os países do mundo juntos, mas o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) registra 1,5 milhão de profissionais até 2025. A soma de advogados em seis territórios, incluindo Estados Unidos, Itália e Alemanha, totaliza cerca de 2,18 milhões.
Cury declarou ser o único a propor reforma no STF com fim da vitaliciedade e mandatos de oito anos. A checagem apontou que Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) também divulgaram planos para mandatos temporários na Corte. Além disso, a PEC 45/2025, da qual Flávio Bolsonaro (PL) é signatário, prevê mandatos de dez anos sem recondução.
Sobre saúde mental, o candidato afirmou que os suicídios entre jovens de 10 a 19 anos aumentaram 148% no Brasil. O Atlas da Violência 2026, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a taxa subiu de 2,4 para 3,4 mortes por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, um aumento de 41,7%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) menciona crescimento de 138%, mas referente a tentativas de suicídio na Polônia.
A entrevista faz parte de uma série com presidenciáveis de 2026, que já incluiu Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foram convidados, mas não confirmaram presença até o momento.


