Autoridades que investigam fraudes do Banco Master mostram disposição para ouvir nova tentativa de delação premiada de um ex-banqueiro. A condição principal é que ele indique bens e recursos alocados no exterior e apresente um relato completo sobre o esquema.
Os agentes responsáveis pelo caso exigem que o ex-banqueiro demonstre boa-fé, o que implica mudar a postura das duas tentativas anteriores de acordo com fontes ligadas à investigação. O indivíduo, apontado como líder de suposta organização criminosa, deve fornecer dados sobre pessoas importantes e caminhos para recuperação dos valores desviados.
Em relatos anteriores, o ex-banqueiro teria apresentado fatos já conhecidos pelos investigadores ou tentado despistar detalhes. Um ponto de tensão foi sua narrativa sobre um senador, ao qual ele tratou como amigo próximo, em troca de mensagens com uma ex-namorada. A investigação apontou que um auxiliar do Banco Master redigiu projeto legislativo que o parlamentar apresentou.
A Polícia Federal avalia que parte dos relatos sobre a relação entre o ex-banqueiro e o parlamentar não foram verdadeiros. Um dos critérios para reabrir a negociação é que ele não minta novamente, segundo um envolvido. A possibilidade de um novo acordo foi considerada após dois meses da rejeição da segunda proposta.
A abertura das tratativas se mostra maior com a Polícia Federal do que com a Procuradoria-Geral da República. Os investigadores avaliam que a repatriação de recursos sem a colaboração do ex-banqueiro pode atrasar o processo, já que ele detém informações sobre dinheiro enviado ao exterior.

