Uma avalanche de gelo no Himalaia desencadeou uma corrida de lama que atingiu 300 km/h e causou destruição no Nepal e no Tibete nesta quarta-feira (26). O fenômeno carregou rochas, argila e vegetação por vales estreitos, atingindo comunidades e uma estação alfandegária na fronteira entre o Nepal e a China.
O gelo se desprendeu de montanhas com cerca de 6 mil metros de altitude e bloqueou um vale, criando uma represa natural. Com o derretimento do gelo, a pressão provocou o rompimento da estrutura, liberando água e sedimentos que formaram a onda de lama. Imagens do local mostram a correnteza arrastando ônibus e prédios.
Rualdo Menegat, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e geólogo, explicou que o episódio demonstra como fenômenos naturais ganham proporções catastróficas em áreas de risco. Segundo Menegat, quem estiver na frente de uma corrida de lama nessa velocidade não terá saída.
Houve uma suspeita inicial de que um terremoto de magnitude 4,4 teria causado o desastre. No entanto, a apuração posterior indica que a avalanche não foi provocada pelo sismo; na verdade, o próprio deslizamento de gelo teria gerado um tremor de magnitude 5,4.
O geólogo associa o desastre à emergência climática e critica a ocupação de áreas vulneráveis. Ele citou que cidades incas antigas não eram construídas no fundo de vales para evitar perdas totais em deslizamentos, contrastando com o planejamento urbano atual.
Menegat afirmou que a prevenção deve integrar o planejamento de governos e cidades, deixando de ser apenas uma reação a tragédias. O professor também alertou que um El Niño mais acentuado pode elevar a frequência de secas, incêndios e chuvas intensas em diversas regiões.

