Beijar recém-nascidos, especialmente na cabeça e no rosto, pode transmitir infecções graves e potencialmente fatais. A vulnerabilidade ocorre porque o sistema imunológico dos bebês está em desenvolvimento e possui menos células de defesa inatas, como neutrófilos e monócitos, nos primeiros três meses de vida.
A professora sênior de Microbiologia Clínica da Universidade de Leicester, Primrose Freestone, explica que patógenos que causam sintomas leves em adultos podem ser letais para bebês. O vírus da herpes é um dos principais riscos; enquanto em adultos provoca feridas labiais, nos recém-nascidos pode atingir órgãos internos e se tornar fatal, sobretudo nas primeiras quatro semanas após o nascimento.
Bactérias infecciosas também representam ameaça. O estreptococo do grupo B (GBS), que frequentemente habita o trato gastrointestinal e genital de adultos sem causar sintomas, pode provocar sepse, pneumonia e meningite em bebês. Cepas da bactéria Escherichia coli (E. coli) também podem resultar em quadros graves de infecção sanguínea e pneumonia nos primeiros meses de vida.
Uma pesquisa da instituição britânica The Lullaby Trust revelou que 54% dos pais de recém-nascidos, ou daqueles que aguardavam um filho, permitiriam que amigos e familiares beijassem a criança sem ter conhecimento dos riscos de infecções graves.
Para reduzir a transmissão, a recomendação é lavar as mãos e evitar beijos na boca ou no rosto, preferindo os pés ou a parte de trás da cabeça. Pessoas com infecções ativas ou sintomas respiratórios devem evitar visitas a bebês com menos de um mês. Feridas causadas por herpes devem ser mantidas cobertas com curativos e o uso de máscaras é indicado para quem não se sente bem, mas precisa realizar a visita.


