A Prefeitura de Belém realiza ações de captura e monitoramento de morcegos em diversas áreas da capital para investigar a possível circulação do vírus da raiva. O trabalho é coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde e da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ). A iniciativa visa acompanhar a presença do vírus entre os quirópteros e identificar áreas de risco antes que a doença atinja animais domésticos ou pessoas.
As capturas ocorrem em pontos definidos pelas equipes de vigilância, principalmente em locais com vegetação abundante. O trabalho é realizado durante a noite, com a instalação de redes de neblina em pontos estratégicos. Segundo a Prefeitura de Belém, a capital paraense não registra transmissão da raiva por morcegos há mais de 20 anos, mas o monitoramento é mantido devido à circulação do vírus em outras regiões do país.
Após a captura, os animais são identificados e encaminhados ao Instituto Evandro Chagas (IEC) para análise. A pesquisadora Lívia Medeiros, do IEC, explicou que o laboratório analisa o cérebro e as glândulas salivares, pois o vírus se concentra no sistema nervoso central e as glândulas estão ligadas à transmissão. Exames como a Imunofluorescência Direta (IFD) e o RT-qPCR são usados para caracterizar a variante.
A UVZ orienta a população sobre o comportamento normal e anormal dos morcegos. A recomendação é não tocar, matar ou capturar o animal por conta própria. Em caso de contato, a população deve procurar a Unidade de Vigilância de Zoonoses. Para contatos físicos, a orientação é lavar o local com água e sabão por cerca de 15 minutos e buscar atendimento médico para avaliar a necessidade de profilaxia pós-exposição.


