O teatro Volksbühne, em Berlim, cancelou uma aula de natação destinada a crianças negras na semana passada. A decisão ocorreu após receio de atos de hostilidade de grupos ligados à extrema direita alemã, em meio a um debate público sobre racismo na cidade.
A instalação temporária, denominada Volksbad, foi montada em frente ao teatro e custou cerca de EUR 300 mil. O diretor artístico, Matthias Lilienthal, justificou o projeto como uma intervenção urbana em um cenário de crescente comercialização dos espaços públicos. A iniciativa visava oferecer alívio e diversão à população durante o calor intenso da temporada.
A aula era organizada pela associação social Eote, que atua no combate ao racismo, e estava agendada para um horário específico. A polêmica surgiu após uma vereadora distrital da CDU reclamar em rede social de se sentir discriminada por ser branca e não poder usar o espaço.
A situação escalou com a manifestação de figuras políticas, incluindo a colíder da AfD, que classificou o evento como apartheid. Lilienthal afirmou que a iniciativa seguia a lei antidiscriminação de Berlim, que prevê espaços especiais para quem sofre discriminação. No entanto, a associação Eote foi alvo de intimidações.
O cancelamento ocorreu após Lilienthal registrar a presença de vinte blogueiros de direita filmando o prédio. O teatro e a Eote decidiram suspender a sessão por receio de violência. O diretor informou que buscará soluções para retomar a programação original, avaliando as objeções políticas existentes.


