O cofundador da Microsoft, Bill Gates, defendeu a criação de empregos reservados exclusivamente a pessoas para mitigar os efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho. A proposta foi detalhada em um ensaio de 6 mil palavras publicado nesta quarta-feira (26), o primeiro texto longo do empresário sobre o tema em três anos.
Gates argumenta que determinadas atividades devem permanecer sob responsabilidade humana, mesmo quando a automação for tecnicamente possível. Ele denominou essas funções como “human reserved”, sugerindo que a sociedade deve intervir para evitar a substituição total de trabalhadores por máquinas.
O empresário comparou a medida à gestão de reservas naturais. Segundo ele, embora seja viável construir estradas ou edifícios em áreas protegidas, a sociedade opta por preservá-las para evitar perdas irreparáveis. A mesma lógica deveria ser aplicada a certas profissões para garantir a participação humana.
No texto intitulado “A turbulenta era da IA chegou. As escolhas que fazemos são cruciais”, Gates afirmou que muitos empregos desaparecerão para sempre. Ele alertou que a sofisticação de robôs e sistemas de IA forçará governos e sociedades a decidirem quais cargos não podem ser automatizados.
O bilionário manifestou preocupação com a capacidade de resposta dos governos diante dessas transformações. Para ele, a eliminação permanente de postos de trabalho exigirá novas definições sobre como os benefícios gerados pela tecnologia serão distribuídos.

