Um vídeo registrado em Rondônia mostrou a retirada de um pequeno crustáceo da boca de uma piranha nesta segunda-feira (31). O biólogo João Arthur Bernardes identificou o animal como um piolho-comedor-de-língua, termo utilizado para descrever parasitas que habitam a cavidade bucal de peixes.
O animal é um crustáceo do grupo dos isópodes, mesma categoria dos tatuzinhos-de-jardim. Segundo Bernardes, as espécies desse grupo nadam em busca de hospedeiros enquanto jovens e podem se fixar em diferentes partes do corpo do peixe, como a pele, as brânquias ou a boca.
Algumas variedades se prendem à base da língua, onde podem provocar danos aos tecidos. No caso da espécie Cymothoa exigua, o parasita pode causar a destruição desses tecidos e assumir parte da função do órgão. Estudos indicam que o peixe consegue movimentar o crustáceo para ajudar a conduzir o alimento.
Pesquisadores questionam se a língua é substituída literalmente, pois a estrutura óssea do órgão pode permanecer intacta mesmo com a degradação dos tecidos moles.
O ciclo reprodutivo de algumas espécies envolve o hermafroditismo protândrico, processo em que o animal nasce macho e depois se transforma em fêmea. Quando múltiplos indivíduos parasitam o mesmo peixe, o primeiro a chegar costuma se tornar fêmea, enquanto os seguintes permanecem machos para a reprodução.
A fêmea permanece associada ao hospedeiro para produzir a nova geração. Após o nascimento, os jovens deixam o peixe e buscam novos hospedeiros para reiniciar o ciclo.


