O Brasil detém o maior peso relativo em portfólios de fundos de ações de mercados emergentes, segundo levantamento trimestral do UBS. A concentração na Bolsa brasileira superou quatro pontos percentuais o peso do país no índice MSCI Emerging Markets em junho.
O levantamento acompanha cerca de duzentos e vinte fundos ativos globais e de emergentes, com patrimônio somado a aproximadamente US$ 1,6 trilhão. Em um período anterior, a fatia da Bolsa brasileira em mãos estrangeiras ultrapassou 62% do valor de mercado no primeiro trimestre, o nível mais alto desde 2017. Este patamar, embora tenha recuado para perto de 58%, permanece acima da média histórica do banco.
Contudo, os sinais de reversão surgiram no segundo trimestre, quando o país registrou saída líquida de US$ 3,9 bilhões. Em agosto, o fluxo de recursos para a B3 apresentou retiradas de R$ 12 bilhões, e o índice Ibovespa negociou em território negativo, próximo a 169.400 pontos.
Indicadores de intenção também mostram menor apetite. Pesquisa do Itaú BBA, realizada no final de junho, revelou que a parcela de investidores que espera entrada de capital estrangeiro nos próximos seis meses caiu de 91% para 59%. A visão positiva para a Bolsa brasileira recuou de 77,6% para 50,5%.
Apesar das saídas, o Brasil mantém atrativos estruturais. O rendimento esperado para os próximos doze meses está em 7%, acima da média histórica de 5,1%, e o retorno sobre patrimônio projetado atinge 22%, superando a média de dez anos de 18%.


