O governo brasileiro manifestou insatisfação com as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos nacionais em reunião virtual realizada nesta segunda-feira (31). Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), classificaram a medida como tratamento discriminatório e injusto.
A conversa ocorreu com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O objetivo foi avançar nas negociações sobre duas decisões recentes do governo de Donald Trump em aplicar novas tarifas a produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Os Estados Unidos estabeleceram uma sobretaxa total de 37,5% sobre as exportações brasileiras. A medida começou com a aplicação de 25% sob a alegação de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores da economia. Posteriormente, foram somados 12,5% devido à suposta falha do Brasil em proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Em nota conjunta, os ministros brasileiros afirmaram que as justificativas americanas não correspondem às práticas efetivas do país e que as medidas unilaterais ferem as regras multilaterais de comércio. O governo brasileiro já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os Estados Unidos agiram de maneira discriminatória.
Os dois governos concordaram em realizar novas reuniões nas próximas semanas para revisar o progresso das tratativas bilaterais e de encontros técnicos. O governo americano informou estar à disposição para conversar, mas não indicou se haverá reversão das tarifas.
A reunião acontece dez dias após telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Na ocasião, ocorrida no dia 21, Lula disse ao presidente americano que as alegações para a imposição das tarifas são infundadas.


