O governo brasileiro avalia que a conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump pode reabrir negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos do país. O diálogo, paralisado desde o mês passado, visa discutir as taxas que podem chegar a 37,5% sobre certos itens.
A retomada das conversas foi solicitada por Lula, que buscou o aval do presidente norte-americano para reabrir as discussões sobre o que foi chamado de “tarifaço”. Após o contato, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, contatou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Os dois acertaram uma reunião por videoconferência para a próxima semana.
As tarifas foram aplicadas após duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). As taxas de 25% e 12,5% podem ser cobradas de forma acumulada. A sobretaxa de 25% foi direcionada ao Brasil sob alegação de que o país adota práticas comerciais desleais, incluindo críticas a questões ambientais e ao sistema Pix.
Apesar do avanço no diálogo, membros do governo brasileiro não esperam mudanças imediatas nas tarifas, citando a proximidade das eleições presidenciais brasileiras como fator de influência na postura dos EUA. O telefonema entre os líderes abordou tarifas, combate ao crime organizado e conflitos internacionais, além de menções ao processo eleitoral brasileiro.

