Em julho, o Brasil importou US$ 66 milhões em calçados, valor superior aos US$ 62 milhões exportados, invertendo a balança comercial do setor pela primeira vez em quase trinta anos. Os dados, compilados pela Abicalçados, mostram o aumento das importações e a queda nas receitas de exportação.
O resultado desfavorável reflete a trajetória da indústria calçadista no período, com receitas de exportação diminuindo e as importações crescendo progressivamente desde o início da última década. Entre janeiro e julho deste ano, as importações somaram US$ 373 milhões, um aumento de dez por cento em relação ao mesmo período de 2025, atingindo cerca de trinta milhões de pares.
A associação pede a imposição de barreiras comerciais contra a entrada de produtos asiáticos. Segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, as importações ocupam espaço que a indústria nacional poderia preencher, gerando empregos. O Brasil importou US$ 31 milhões da China no período, um aumento de treze por cento em receita.
As exportações brasileiras sofreram quedas significativas nos principais mercados. O país perdeu vinte e cinco por cento em receita para os Estados Unidos e cinquenta e oito por cento para a Argentina. A Casa Branca anunciou, em julho, uma nova tarifa de vinte e cinco por cento sobre a produção nacional.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) afirmou não ter recebido pedidos formais de aplicação de cotas de importação. O governo disse que manterá diálogo com o setor e analisará qualquer pleito formal.


