O Brasil pode perder a segunda posição de exportador global de milho para a Argentina no ciclo 2025/26. A projeção, feita pela Hedgepoint Global Markets, aponta que as exportações argentinas atingirão 45 milhões de toneladas, superando as 43 milhões de toneladas estimadas para o Brasil.
A consultoria avaliou que a Argentina se mostra competitiva após uma grande safra, enquanto os exportadores brasileiros enfrentam desafios logísticos, como dificuldades de embarque para o Irã, um comprador tradicional. Segundo Luiz Fernando Roque, especialista da Hedgepoint, a Argentina pode ganhar participação de mercado do Brasil devido a preços mais competitivos.
As projeções da Hedgepoint estão alinhadas com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O especialista também apontou que o conflito no Irã pode reduzir as vendas brasileiras, visto que o país não realizou compras de milho em junho. Apesar disso, o mercado interno brasileiro absorve mais grãos, impulsionado pelo aumento da produção de etanol.
A Hedgepoint estima que o consumo de milho para etanol no Brasil crescerá 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025, atingindo 28,5 milhões de toneladas. Além disso, a empresa analisou que a decisão do governo brasileiro de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, para 32%, pode adicionar mais 1,5 milhão de toneladas ao consumo interno.

