O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número de episódios pode ser superior caso o fenômeno El Niño se intensifique nos próximos meses, atingindo diferentes regiões do país simultaneamente.
A previsão foi elaborada com base em 47 anos de registros térmicos. A pesquisadora Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor no Cemaden, informou que a média histórica indica quatro episódios em períodos semelhantes, mas o último El Niño registrou nove ondas. O fenômeno é classificado quando as temperaturas máximas e mínimas ficam excepcionalmente acima do padrão por ao menos três dias consecutivos.
Projeções para setembro indicam termômetros até 3°C acima da média em grande parte do país. O cenário decorre de sistemas de alta pressão que funcionam como bloqueios atmosféricos, dificultando a chegada de chuvas e a formação de nuvens, o que acelera a perda de água do solo e intensifica o ciclo de seca.
O risco de incêndios florestais atinge 560 municípios, área que soma 3 milhões de quilômetros quadrados, ou 35% do território nacional. O Índice Integrado de Seca aponta que 157 cidades já vivem seca severa, com destaque para Tocantins, que possui 50 municípios nessa condição, e Bahia, com 18. A região entre a Amazônia e o Pantanal é considerada uma das mais vulneráveis.
Para enfrentar a temporada, o governo federal mobilizou mais de 4,6 mil brigadistas e criou um gabinete de crise em maio. O esforço ocorre apesar de a Amazônia ter registrado, no primeiro semestre de 2026, a menor área com sinais de desmatamento em dez anos, conforme dados do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os impactos climáticos podem refletir na economia. Um estudo citado na análise indica que alimentos in natura, como carnes e hortaliças, são os mais vulneráveis. Em um cenário de El Niño forte, os preços dessa categoria podem subir 19,9%, enquanto os gastos com alimentação domiciliar teriam alta estimada em 6,32%.


